Alergia a antibióticos - a importância do diagnóstico correto

2019-07-09

Alergia a antibióticos - a importância do diagnóstico correto

As reações adversas a medicamentos constituem um grave problema de saúde pública, observando-se uma prevalência crescente e impacto significativo na população - estima-se que afetem atualmente 7% da população geral e 20% dos doentes hospitalizados e têm sido apontadas como causas de morte relevantes quer em adultos, quer em crianças. Estima-se que até 1/3 das reações adversas a medicamentos em doentes hospitalizados possa ser de etiologia alérgica.
Apesar de todo o impacto económico, social e pessoal associado às reações alérgicas de origem farmacológica, o uso de antibióticos é indispensável em várias situações. Na prática clínica, após uma reação adversa a um antibiótico, frequentemente os doentes ficam classificados como sendo alérgicos, mesmo sem qualquer investigação. Esta classificação indevida sem comprovação diagnóstica representa um risco para o doente e para a sociedade: a utilização de antibióticos alternativos poderá resultar num tratamento menos otimizado, mais dispendioso, potencialmente mais tóxico e ainda promover a resistência a antibióticos. De facto, um estudo recente reporta que os doentes etiquetados como alérgicos à penicilina apresentam um maior número de infeções por microorganismos resistentes, com destaque para uma frequência significativamente maior de infeções do trato urinário e da pele.
Uma grande proporção da população reporta alergia a antibióticos beta-lactâmicos com base nestas assunções, mas apenas uma minoria destas eventuais alergias às penicilinas, incluindo a amoxicilina, foi devidamente confirmada. Após um estudo diagnóstico adequado, apenas 1/10 dos doentes é comprovadamente alérgico.
Atendendo às particularidades da alergia a antibióticos, todos os casos suspeitos devem ser encaminhados para uma consulta de alergologia. O estudo diagnóstico conclusivo realizado pelo Alergologista permite reduzir os custos associados a prescrições de antibióticos alternativos, evitar restrições de medicamentos desnecessárias, oferecer alternativas de medicamentos seguros e programar o tratamento de episódios agudos. Em situações em que se comprova a alergia ao antibiótico e se trata de uma situação em que é indispensável, poderá ser equacionado o tratamento de dessensibilização, que permite a indução de um estado de tolerância transitório.

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