Questões Frequentes

Não! Nenhuns! Zero! Bola! Népia! Nicles!!
Pode continuar a tomar toda a medicação que tiver prescrita, incluindo mesmo anti-histamínicos porque os resultados das análises ao sangue não são influenciados.
Infelizmente há muita desinformação sobre isto, inclusivamente de alguns médicos :( mas não se deixe levar na cantiga!

Já o mesmo não é verdade para os testes cutâneos (prick), para esses sim tem de suspender medicação.

Nas provas de provocação oral, o médico administra ao doente doses crescentes do alergénio em estudo, com intervalos regulares de 15 a 30 minutos, até ocorrer reação ou atingir o equivalente de uma toma do medicamento ou uma refeição. A administração pode se realizada por ingestão, injeção subcutânea ou intravenosa, dependo da situação em concreto, embora o mais frequente seja a via oral. Deve haver sempre pessoal de saúde especializado e treinado a vigiar a prova e controlar as administrações e possíveis reações.
A prova habitualmente tem duração de várias horas, durante as quais numa fase inicial são feitas as administrações, e numa fase posterior é mantida a vigilância clínica. Deve ser imediatamente interrompida se surgir uma reação alérgica. Na maioria dos casos, as reações que ocorrem durante a prova são semelhantes às manifestações que o doente referia anteriormente, mas com tendência a serem menos graves, porque as doses são progressivas.
Um resultado negativo na prova, ou uma prova de provocação negativa, significa que o paciente não tem alergia ao alimento ou medicamento testado, e que, portanto, não se confirmou a suspeita, ou que foi, entretanto, resolvida a alergia.
Não há idades mínimas ou máximas para realização das provas de provocação.

O iodo é um oligoelemento essencial, presente em muitos tecidos do organismo e necessário para a síntese das hormonas tiroideias.
Obtém-se através da dieta, com a ingestão de peixe, marisco, carnes, sal iodado, etc…
Como tal, o iodo não produz alergia.

Aquilo que vulgarmente se conhece como “alergia ao iodo” corresponde habitualmente a uma de duas situações:

Dermatite de contacto provocada pelo desinfectante iodopovidona - “Betadine”

Reações alérgicas e pseudo-alérgicas a meios de contraste iodados (saiba mais na respectiva publicação sobre este tema)

Estas situações não têm qualquer relação entre si e assume-se nada terem a ver com o iodo. Da mesma forma, a alergia a peixes ou mariscos é provocada pelas proteínas próprias desses alimentos, e nada tem a ver com potencial conteúdo em iodo.

Não há uma resposta única.
Há várias situações distintas.
De uma forma geral, se durante a amamentação exclusiva não houve sintomas e eles surgiram apenas após introdução de leite de vaca em papa ou iogurte ou fórmula, então não existe necessidade de a mãe fazer dieta. Esta é a situação típica das aplv IgE-mediadas.
Se por outro lado os sintomas surgem ainda durante a amamentação exclusiva, nesses casos a mãe terá de fazer a restrição na sua alimentação. É o caso da maioria das aplvs não-IgE-mediadas.

Mas isto é simplificando de uma forma generalista. Há outros fatores a ter em conta, e há situações particulares, que podem justificar certas opções.
Fale sempre com o seu médico para esclarecer devidamente essa necessidade.

Não!!! Não, não e não!.
Dados os benefícios do aleitamento materno, especialmente até aos 6 meses de vida, devem ser tentados todos os esforços para manter o aleitamento materno.

Existem situações muito particulares em que se recomenda suspender o aleitamento, por vezes apenas de forma transitória, mas são verdadeiras excepções.

Se o bebé reage por ingestão do leite materno, então a mãe deve fazer dieta de restrição de leite e derivados e se bem cumprida é eficaz e permite manter o aleitamento com segurança.
É necessário um acompanhamento regular e específico de um médico Imuno-alergologista para identificar a situação e assegurar à mãe os devidos cuidados.
Pode ser necessário também a colaboração de um Nutricionista.

Dependendo do tipo de alergia ao leite do bebé, pode até nem ser necessário a mãe fazer qualquer dieta. Informe-se bem sobre essa situação!!

É frequente as doenças alérgicas e a asma piorarem durante a gravidez ou pós-parto. Mesmo que não piorem, a maior parte das vezes será necessário manter terapêutica para controlar estas doenças.
Há medicamentos que são permitidos nestas situações e outros que têm de ser alterados, mas nunca se deve suspender abruptamente a terapêutica sem consultar o Imunoalergologista.
Conheça mais sobre esta temática no artigo que publiquei na Revista Portuguesa de Imunoalergologia, através do link:
https://www.spaic.pt/client_files/rpia_artigos/abordagem-da-doenca-alergica-na-gravidez.pdf

A intolerância à histamina resulta de um desequilíbrio entre a acumulação de histamina e a capacidade de degradação de histamina. Aproximadamente 1% da população apresenta intolerância à histamina, da qual 80% são adultos em idade média.

A histamina, um mediador de reações alérgicas, pode ser metabolizada por duas vias: por diaminação oxidativa pela enzima diamina oxidase (DAO), ou por metilação pela enzima histamina-N-metiltransferase (HNMT).

A intolerância à histamina parece resultar principalmente da ingestão de alimentos que contêm elevadas quantidades de histamina por indivíduos com baixa inativação da histamina a nível intestinal devido a patologias gastrointestinais ou por inibição desta inativação por outros componentes alimentares ou fármacos, o que permite a absorção de histamina em quantidades suficientes para provocar sintomas. Contudo, foi possível identificar polimorfismos do gene da DAO associados a doenças gastrointestinais, o que sugere uma predisposição genética num subgrupo de doentes com intolerância à histamina.

Elevadas concentrações de histamina são encontradas principalmente em produtos da fermentação bacteriana, tais como vinho, queijo curado e carne processada ou em alimentos contaminados por microrganismos. Além disso, muitos alimentos, tais como os citrinos, podem provocar a libertação de histamina dos mastócitos, mesmo que estes alimentos não possuam um elevado conteúdo de histamina. Fale com o seu médico alergologista para este lhe fornecer uma lista dos alimentos principalmente implicados.

Os sintomas mais comuns de intolerância à histamina incluem rinorreia, congestão nasal, cefaleia, dismenorreia, hipotonia, arritmias, urticária, prurido, rubor, asma e distúrbios gastrointestinais (cólica abdominal, flatulência e diarreia).

O diagnóstico de intolerância à histamina é estabelecido pelo aparecimento de, pelo menos, dois sintomas típicos desta intolerância e por melhoria após estabelecimento de uma alimentação sem histamina e administração de anti-histamínicos, sendo que vários testes são atualmente utilizados neste diagnóstico. O diagnóstico de intolerância à histamina deve iniciar-se por uma história clínica cuidadosa com registo dos sintomas, identificação dos alimentos responsáveis e determinação do seu conteúdo em histamina. Pode ser necessário recorrer à determinação da atividade intestinal de DAO e HNMT e à análise dos polimorfismos do gene da DAO e da HNMT, para identificação de uma potencial predisposição genética.

Os anti-histamínicos são fármacos que podem ser utilizados aquando da ingestão de elevadas quantidades de histamina, não sendo, porém, úteis como terapêutica a longo prazo. O único tratamento eficaz da intolerância à histamina consiste na eliminação de alimentos que contenham histamina da alimentação. Além disso, substâncias que provoquem libertação de histamina endógena e inibição da DAO e HNMT devem também ser evitadas.

O diagnóstico de APLV é baseado na história clínica, nos exames laboratoriais, mas muitas vezes assenta mesmo na dieta isenta das proteínas do leite e na resposta a essa evicção.

É importante ter paciência no início, pois em casos de reações tardias os sintomas às vezes demoram a passar após o início da dieta e as crianças podem demorar até 4 semanas para apresentar uma melhoria significativa, porém é algo individual e cada criança reage de uma forma diferente.

Antes de desistir ou considerar outro diagnóstico, é importante deixar passar este tempo e ter a certeza absoluta que cumpre a dieta rigorosa.
Converse sempre com o médico que acompanha a criança, para que possa orientá-la de forma individualizada e transmitir-lhe uma lista escrita dos cuidados a cumprir.

O ar entra no sistema respiratório pelo nariz e boca, e segue pela traqueia e brônquios até aos alvéolos (zona do pulmão mais interior, onde é trocado o oxigénio pelo dióxido de carbono).

Numa pessoa SEM asma, os músculos das vias aéreas que transportam o ar (maioritariamente os brônquios e bronquíolos) estão relaxados, e as paredes são finas, o que permite a passagem do ar com facilidade.

Numa pessoa asmática, as vias respiratórias ficam apertadas e grossas devido à inflamação e contração dos músculos, e forma-se muco, o que dificulta a passagem do ar.

Dicas para evitar a exposição a fungos na sua casa:
✔ Arejar bem as divisões;
✔ Abrir a janela da casa de banho depois do banho;
✔ Evitar a utilização de tapetes na casa de banho;
✔ Utilizar desumidificadores ou ar condicionado com filtros adequados;.
✔ Limpar as superfícies bolorentas, como os cantos do duche;
✔ Utilizar lixívia para lavar as paredes que se humedecem com frequência - casa de banho;
✔ Não utilizar aparelhos de limpeza de vapor;
✔ Utilizar tintas fungicidas;
✔ Evitar guardar roupa ou calçado húmido em armários ou zonas com pouca ventilação;
✔ Não deixar alimentos fora do frigorífico por muito tempo;
✔ Eliminar o lixo com frequência;
✔ Não ter plantas de interior.

Não exactamente! Mas há medicamentos que são fotossensibilizantes, ou seja, quando são tomados ou aplicados predispoem a pele a ter uma resposta anormal à radiação solar (situação designada fotossensibilidade).
Pode ocorrer por um mecanismo fotoalérgico ou fototóxico, mas à observação da pele é muito difícil distinguir as duas situações.
As reações típicas incluem queimaduras solares, sensação de ardor e prurido (comichão) na pele, inchaço, bolhas, etc...

Quando as reações de fotossensibilidade são induzidas por medicamentos de toma oral ou injectável (portanto sistémicos) a reação envolve então as zonas mais expostas à radiação solar, sobretudo a face, o pescoço e a região torácica superior, desenhando o decote.
Quando são induzidas por medicamentos em pomada ou creme (tópicos) a reação fica normalmente limitada às áreas de contacto onde foram aplicados.

Principais medicamentos sistémicos fotossensibilizantes:
- Anti-inflamatórios não-esteróides: Piroxicam, Celecoxib
- Fármacos com grupo sulfa: Hidroclorotiazida, Sulfacetamida, Sulfadiazina, Sulfapiridina, Sulfonamidas, Sulfonilureias
- Antibióticos: Cloranfenicol, Enoxacina, Lomefl oxacina, Isoniazida
- Fenotiazinas: Clorpromazina, Perfenazina, Tioridazina
- Antimaláricos: Cloroquina, Hidroxicloroquina, Quinina, Quinidina
- Outros fármacos: Amantadina, Dapsona, Difenilhidramina, Mequitazina, Ranitidina, Piridoxina, Pilocarpina, Flutamida

Alguns antidepressivos e ansiolíticos têm sido também apontados.

Não! Os medicamentos para tratamento da asma não produzem habituação. Os inaladores usados para tratamento preventivo da asma não causam dependência, vício ou habituação. Estes devem ser usados diariamente, conforme indicado pelo médico, para cada caso.

Não! Muito pelo contrário, o desporto é benéfico para a asma. contribui para a saúde das pessoas com asma, pois faz com que se desenvolvam métodos de respiração e melhora a capacidade cardiorrespiratória e a saúde em geral.

Não! O cloro é um irritante potente que em elevadas quantidades pode afetar as vias aéreas e dos olhos. Mas por um processo irritativo e não alérgico. Recentemente tem assumido crescente atenção a presença de altos níveis de cloro e a sua ação de irritante das vias aéreas, bem como a presença de alergénios (fungos) nos balneários e outras áreas de uso comum integradas nos complexos de piscinas, dados que deveriam levar a dar maior relevância à qualidade do ambiente «indoor» e da ventilação adequada dos nossos recintos desportivos.

1. Tomar a sua medicação cerca de 30 min antes; 2. Aquecer antes do treino; 3. Evitar locais com alergénios ou proteger-se da sua exposição; 4. Nunca se esqueça do inalador SOS.

Infelizmente, não! Ao contrário da opinião popular, não há verdadeiramente "raças hipoalergénicas" de cães ou gatos. A alergenicidade de gatos e cães não é afetada pelo comprimento do seu pelo.
As proteínas encontradas em pêlos de animais, caspa, saliva e urina podem causar uma reação alérgica ou agravar os sintomas da asma em algumas pessoas. Além disso, pelos de animais armazenam ácaros, pólen, fungos e outros alérgenos ao ar livre. Esta alergia pode causar sintomas de rinite, conjuntivite, ou mesmo asma.
Mas nem sempre é necessário desistir de um animal de estimação para evitar sintomas de alergia! Um alergologista com experiência para diagnosticar com precisão os seus sintomas e desenvolver um plano de tratamento vai ajudá-lo a lidar com sintomas de alergia e, potencialmente, manter seus amigos peludos.

Pode ser-se alérgico a ambas, mas isso não é frequente. O alergénio principal do veneno de abelha (fosfolipase A2) parece-se pouco com a fosfolipase que está no veneno das vespas.
No entanto, algumas pessoas que só têm reação com a picada de um destes tipos de inseto podem ter exames positivos para os dois, e isso pode ocorrer por um fenómeno de reatividade cruzada ou por verdadeira sensibilização aos dois (embora as proteínas sejam diferentes como foi dito, as enzimas e alguns açúcares presentes no veneno são semelhantes). Mas a maior parte das vezes isso não causa problemas reais.

Não necessariamente! Os estudos mais recentes demonstram que é benéfico manter o contacto com pequenas quantidades do alimento cozinhado, desde que tolerado, claro! Induz a aquisição de tolerância mais rápido, por isso acelera a resolução da alergia. Este assunto tem de ser discutido caso a caso com o Médico Alergologista.

Não! Algumas crianças reagem ao leite materno por neles estarem contidas proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe na sua dieta. Basta remover da dieta da mãe os laticínios e pode manter-se o aleitamento materno.

A alergologia é a especialidade médica que inclui o conhecimento, diagnóstico e tratamento da patologia produzida por mecanismos imunológicos, especialmente as doenças alérgicas, com as técnicas que lhe são próprias.
É uma especialidade multidisciplinar. O campo de ação é amplo, pois abrange o estudo de patologias localizados em diferentes órgãos ou sistemas (trato respiratório, trato digestivo, pele, etc.), além de condições generalizadas (sistémicos)
A obtenção do título de Especialista em Alergologia significa, portanto, ter formação durante 5 anos nesta área e ser aprovado em exame final. Durante este período, o médico adquire a experiência de assistência necessária para desenvolver seus conhecimentos e capacidades para obter competência no diagnóstico e tratamento de doenças alérgicas, em qualquer idade do doente. A formação do Alergologista é complementada com o conhecimento científico e social do seu meio ambiente, bem como o conhecimento de disciplinas. É uma especialidade independente, isto significa que em Portugal não é complemento da Pediatria ou de qualquer outra especialidade. Para um médico ser especialista em Alergologia e também especialista noutra área, tem de fazer o internato de 5 anos em cada uma dessas especialidades e ter aprovação. Na dúvida, pode consultar o site da Ordem dos Médicos e introduzir o nome do médico para verificar qual é a especialidade correspondente.

É uma dieta em que se excluem um ou vários alimentos, sob indicação profissional, por forma a evitar os sintomas que decorrem da sua ingestão - habitualmente por alergia alimentar ou intolerância ou doença celíaca.

A síndrome de enterocolite induzida por proteínas alimentares (FPIES, do inglês food protein induced enterocolitis syndrome) é uma alergia alimentar não mediada por IgE, provavelmente mediada por células. O mecanismo fisiopatológico exato ainda não é conhecido.
Os linfócitos intestinais ativados pelas proteínas dos alimentos produzem citocinas inflamatórias, o que resulta num aumento da permeabilidade intestinal, malabsorção, dismotilidade, vómitos em jato com possível desidratação e choque. Os sintomas ocorrem tipicamente várias horas após a ingestão. Menos frequentes são as manifestações de diarreia, dor abdominal e má progressão ponderal.
O leite de vaca, a soja e o arroz são as causas mais comuns de FPIES, mas outros cereais (aveia, milho, cevada), ovo, peixes, aves (frango, peru), leguminosas, frutos frescos, moluscos e vegetais, batata, batata-doce e abóbora também podem estar implicados. O diagnóstico baseia-se principalmente na história clínica e, quando esta não é clara, na prova de provocação oral. A FPIES geralmente é ultrapassada por volta dos três anos de idade.

Na semana anterior à prova deve suspender medicamentos antialérgicos , e nos casos de alguns doentes também suspender alguns medicamentos para a hipertensão 48 horas antes. O paciente não deve estar em crise alérgica, nem com alguma infeção (gastroenterite, infeção respiratória, febre, etc…) porque os sintomas podem confundir-se com os da prova.
As provas não devem ser feitas em jejum, mas nos casos de provas de provocação com alimentos em crianças pequenas pode ser útil não terem comido muito antes para terem mais apetite e assim colaborarem mais facilmente na prova.

Qualquer procedimento médico pode ter riscos. Nesta, como em outras atuações médicas, é importante os doentes e familiares conhecerem as possíveis reações adversas ou riscos. As provas devem ser sempre realizadas em meio hospitalar e por alergologistas experientes.
O mais frequente efeito das provas é reproduzir os mesmos sintomas da reação alérgica que ocorreu previamente. Como a prova é iniciada com uma dose muito menor e com pequenos aumentos ao longo do tempo, na maioria das vezes a reação não é tão grave como a inicial, e aos primeiros sintomas e sinais a prova é interrompida e administrada medicação de alívio. É importante realizar estas provas em meio hospitalar para estarem disponíveis todos os meios, e com pessoal treinado a reconhecer reações e a agir rapidamente e em conformidade. Em algumas situações há riscos de uma reação grave, sobretudo se a inicial também assim foi. As provas nos casos de história de anafilaxia podem ser realizadas após avaliação do risco/benefício pelo médico Alergologista, que já tem experiência nesses assuntos.
As provas de provocação estão contraindicadas durante a gravidez, exceto se se tratar de um medicamento que seja absolutamente essencial nessa situação ou no parto.
As provas de provocação não estão indicadas em doentes com problemas de saúde graves (doença renal, hepática, cardiovascular ou outras) e nos doentes em que a reação foi muito grave: reações graves na pele ou reações generalizadas com envolvimento de órgãos internos, ou reações que provocaram alterações das contagens de células do sangue.

Numa prova de provocação oral o doente é exposto à substância suspeita de lhe causar alergia, em circunstâncias controladas e em ambiente hospitalar.
É a forma mais fidedigna para o diagnóstico de alergias a alimentes e a medicamentos. O objetivo é reproduzir os sintomas que um determinado doente apresentou previamente com exposição a um alimento ou medicamento se os restantes exames de diagnóstico de doenças alérgicas tiverem sido negativos, ou então, noutros casos é identificar alternativas de medicamentos ou alimentos da mesma família que sejam seguros.
Por outro lado, no caso da alergia alimentar, as provas de provocação podem servir também para:
- demonstrar a aquisição espontânea de tolerância (muitos casos de alergia alimentar são transitórios, e esta é a forma mais correta e seguro para verificar isso)
- avaliar a quantidade mínima necessária para o aparecimento de sintomas (de forma a decidir o rigor da dieta a cumprir pelo doente).

Pode haver alergia com testes negativos. As situações mais comuns são:

. Crianças muito pequenas quando o componente alérgico ainda não está bem definido (isto verifica-se na alergia respiratória, mas é raro no caso de alergia alimentar)
. Quando se toma anti-histamínicos nos dias anteriores
. Quando os testes são mal-executados (é por isso que deve procurar sempre ajuda de um Alergologista - é a melhor maneira de evitar erros!)
. Quando o mecanismo não é mediado por IgE

Não é necessário jejum e a única preparação prévia consiste em suspender medicamentos anti-alérgicos nos dias anteriores.

Os testes cutâneos são exames realizados na pele do doente para diagnóstico de alergia. Consistem na aplicação de uma gota do produto alergénico de que se suspeita sobre a pele do braço, seguida de uma ligeira picada com uma pequena lanceta. Na investigação de algumas alergias alimentares por vezes usa-se uma variação do teste prick que utiliza os alimentos em natureza, que são picados com lanceta e em seguida aplicados no antebraço. Chama-se prick-prick ou picada-picada.
Os testes prick servem para diagnóstico de reações alérgicas imediatas, ou seja, possivelmente mediadas pela IgE.
Nem todas as doenças alérgicas justificam fazer este tipo de exames. Deve ser feito por pessoas treinadas, em centros especializados e os resultados devem ser sempre interpretados por especialistas.
Os testes cutâneos realizados por especialistas são a forma mais rápida (o resultado está pronto em 15 minutos!), simples e barata de identificar aquilo que nos causa alergia. Os testes por picada são sem sangue e praticamente indolores. Podem ser repetidos sempre que houver suspeita de uma nova alergia, ou ao longo do tempo para ver a evolução. Podem ser realizados em qualquer idade, desde o bebé! Não são os anos que importam, mas sim a suspeita clínica!

Nas crianças definitivamente é a alergia alimentar! Nos adultos, principalmente a alergia a medicamentos, mas seguida de perto pela alergia alimentar; também é preocupante a alergia ao veneno das vespas e das abelhas.

Quando a anafilaxia afeta o sistema cardiovascular dando origem a queda da tensão arterial chama-se choque anafilático. Os doentes com asma ou doenças cardiovasculares são os que têm maior risco de apresentar reações anafiláticas mais graves.

A anafilaxia é a situação alérgica mais grave . É uma reação alérgica generalizada, de instalação rápida e que pode ser mortal. Diferente do que acontece com as outras doenças alérgicas que só afetam um órgão (como por exemplo a conjuntivite alérgica que afeta só os olhos), neste caso a reação é sistémica, ou seja, afeta possivelmente todo o organismo e pode dar sintomas em vários órgãos e sistemas. Além disso, é uma reação rápida, que normalmente se instala em poucos minutos. Pode ser grave, e em casos muito extremos, pode ser fatal, se não se reconhecem rapidamente os sintomas e se atuar. A anafilaxia é, portanto, uma emergência médica. É importante que todos os doentes sejam portadores de informação.

São um conjunto d doenças nas quais o sistema imunitário não funciona de forma adequada. Como consequência, as defesas do organismo estão enfraquecidas, causando infeções mais frequentes e em geral mais graves e que duram mais tempo do que o habitual.

O tratamento de dessensibilização permite conseguir que o organismo não tenha reação com o alimento a que o doente é alérgico, ou seja, induzir de tolerância. Consiste em dar ao doente pequenas doses do alimento proibido, de modo a “habituar” o organismo gradualmente, até atingir a dose desejada . Mas não é uma verdadeira cura, a tolerância é transitória. Se suspender a toma diária do alimento, pode perder-se este efeito.
Pelo contrário, nos casos em que fazemos provas de provocação e elas são negativas, ou seja, os doentes não apresentam sintomas, está adquirida a tolerância espontaneamente, ou seja a cura da alergia e nesses casos já não se perde mais.

Infelizmente, sim, a alergia alimentar não escolhe idades e pode iniciar-se a qualquer momento, e para alimentos que sempre ingerimos previamente sem problemas...

Quando usar os testes de intolerância aos alimentos?
Os testes de intolerância alimentar não demonstraram até à data validade para o diagnóstico de alergia ou intolerância a alimentos (exceto o teste de intolerância à lactose, que está validado e é fiável).
Apesar de se terem tornado uma moda muito difundida, são exames caros e não existem publicados estudos científicos devidamente fundamentados que justifiquem este tipo de exames – exame da unha, do cabelo, ao sangue, biorressonância, etc….
Os resultados positivos não provaram que exista doença, muitas vezes apenas traduzem uma resposta normal do organismo perante os alimentos ingeridos.
Por esse motivo não estão atualmente recomendados.
Muitas sociedades científicas em todo o mundo, incluindo Portugal, têm feito comunicados à população sobre este tema.

Nem todas as alergias alimentares são para sempre. Por exemplo, a alergia ao leite e ovo, que é a mais frequente nas crianças pequenas, passa em mais de 80% das crianças até aos cinco anos de idade. Aquelas que têm mais tendência a ser persistentes são alergias a frutos secos, amendoim, marisco ou frutas frescas.

Em Portugal o marisco. E depois a fruta fresca, como o pêssego, o melão e a melancia… Os frutos secos, principalmente o amendoim e as nozes, mas também a amêndoa, o pistachio, o caju, as sementes de girassol e as avelãs.

Embora uma reação alérgica possa ocorrer com qualquer alimento, os principais alimentos que causam alergia mais frequentemente na criança são as proteínas do leite, o ovo, o peixe, frutos secos, soja e trigo.

Sim, desde que a doença esteja bem controlada. As vacinas têm bastante eficácia também na asma, diminuindo os sintomas e permitindo deixar medicação crónica.

O tratamento mais eficaz das alergias consiste na imunoterapia específica com extratos alergénicos, geralmente conhecida como vacina para alergia. As vacinas para a alergia baseiam-se na administração a intervalos regulares do extrato a que a pessoa é alérgica, durante alguns anos. A vacina antialérgica é o único tratamento capaz de modificar o curso natural das doenças alérgicas, conseguindo uma melhoria sustentada durante vários anos. Previne o aparecimento de asma e de novas alergias.

As alergias alimentares constituem uma reação exagerada do sistema imunitário contra algumas proteínas dos alimentos e podem ser IgE mediadas, não-IgE mediadas ou mistas.
A alergia IgE mediada resulta da produção de anticorpos de tipo IgE contra o alimento; é uma reação imediata - os sintomas surgem nos primeiros 30 minutos ou até 2 horas após o contacto com o alimento; pode ser muito grave e capaz de pôr a vida em risco em poucos minutos, mesmo com quantidades ínfimas do alimento, ou seja, mesmo com “vestígios”.
A alergia não-IgE mediada envolve outros mecanismos imunológicos, nomeadamente outros tipos de células que reagem contra as proteínas dos alimentos; normalmente os sintomas são digestivos (embora haja exceções, mas são mais raras) e geralmente é uma reação tardia, com início mais de 2 horas após a ingestão do alimento, o que torna o diagnóstico mais difícil.
A alergia mista envolve IgE e outros mecanismos imunológicos, como é o caso da esofagite eosinofílica, por exemplo.

É uma inflamação dos brônquios. A asma é uma das doenças crónicas mais frequentes; afeta 300 milhões de pessoas em todo o mundo, de todas as idades, embora seja mais frequente em crianças, e é um sério problema de saúde pública. A sua prevalência e impacto estão a aumentar sobretudo nas áreas urbanas, associados precisamente a alterações ambientais e do estilo de vida. Em 2025, a asma será a doença crónica mais prevalente da infância e uma das maiores causas de encargos em saúde. Os sintomas mais comuns são tosse, dificuldade em respirar, pieira no peito, cansaço com os esforços.

O angioedema consiste no aparecimento de “inchaços” , tipicamente nos lábios, olhos, mãos, orelhas, etc. Mais raramente pode ocorrer na língua ou na glote e nestes casos pode dificultar a respiração, e deve ser assistido no Serviço de Urgência. O angioedema pode acompanhar a urticária, mas também pode surgir isolado e nestes casos, habitualmente dá pouca comichão, é mais doloroso, e é comum o doente sentir primeiro “encortiçamento” da zona onde se vai manifestar.

É uma reação da pele nas zonas que contactam com objetos ou produtos aos quais se é alérgico, tipicamente nas mãos, braços ou face. Nessas zonas a pele fica vermelha, a descamar, ou até com feridas. A causa mais comum é alergia ao níquel, um metal presente em algumas bijuterias, mas pode haver alergia a perfumes, material de cosméticos, tintas de cabelo, corantes, etc. É importante fazer os testes epicutâneos (“patch”) que consistem em colar selos nas costas durante 48/72 horas para esclarecer a causa.

É uma inflamação da mucosa do nariz. É uma doença muito frequente, afeta atualmente cerca de 30% dos portugueses.
Os sintomas típicos são espirros, comichão no nariz, congestão nasal, ou pingo. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença destes sintomas típicos, mas conhecer a sua causa é determinante para decidir o tratamento, por isso é muito importante realizar testes de alergia porque existe a rinite alérgica e a rinite não-alérgica. Se a rinite não for tratada pode complicar-se com sinusite, asma, otite ou polipose nasal.

Consiste em manchas vermelhas na pele, pele empolada e com comichão, podendo ser acompanhada por inchaços (edemas). Pode ser aguda (poucas semanas de evolução e desaparece), ou crónica. Pode ser causada ou agravada por infeções, alimentos, medicamentos, exposição ao sol, ao frio, pressão, ansiedade, entre outras.

É uma inflamação da pele que afeta particularmente as crianças. Habitualmente resolve-se nos primeiros anos de vida, mas em alguns casos pode manter-se ativa até a idade adulta. Também pode aparecer de novo no adulto. Os sintomas são a pele vermelha, seca, a descamar, com muita comichão e por vezes com pequenas bolhinhas. Os locais típicos nas crianças são as dobras dos joelhos e cotovelos, e nos adultos as pálpebras, os punhos, mão e pescoço; mas pode ter diferentes distribuições.