Asma

2019-05-14

Asma

O que é?
A asma é uma doença inflamatória crónica das vias respiratórias que surge habitualmente na infância, mas que pode iniciar-se em qualquer idade. É uma doença que tem por base um processo inflamatório crónico que altera as paredes dos brônquios, o que torna mais difícil a passagem do ar até aos pulmões.
Os brônquios das pessoas com asma respondem de forma exagerada à exposição a diversos estímulos (ácaros do pó, pólens, poluição, fumo de tabaco, odores fortes, exercício físico, etc…) com contração do músculo nas suas paredes - processo designado broncoconstrição.
A inflamação típica da asma é a responsável por esta maior sensibilidade, e origina edema da mucosa brônquica que também contribui para a contração dos brônquios e bronquíolos. Esta contração diminui o seu diâmetro, e consequentemente diminui a quantidade de ar que pode passar.
O estreitamento das vias aéreas na asma é habitualmente reversível, mas se não tratado precocemente e adequadamente, pode passar a ser persistente e nunca mais recuperar.

Sinais e sintomas de asma
O principal sintoma de asma é a falta de ar. Porém, outros sintomas podem acompanhar:
Dificuldade em respirar e sensação que o ar não chega aos pulmões
Tosse e opressão torácica (aperto ou peso no peito)
Pieira ou chiadeira (som de “gatinhos” ao respirar)
Cansaço e dificuldade em fazer tarefas do dia a dia
Os sintomas podem variar de ligeiros a graves, e podem ser persistentes na maioria dos dias ou apenas ocorrer de forma intermitente. Podem ser sazonais, ou ocorrer aleatoriamente ao longo do ano.
Frequentemente os sintomas de asma pioram à noite, ou com exercício físico, ou com riso/choro (típico nas crianças).

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de asma é clínico, baseado nos sintomas típicos e tornando-se mais provável na presença de rinite, ou história pessoal ou familiar de alergias, mas deve ser sempre suportado por um exame de sopro designado espirometria.
Este exame permite medir a capacidade respiratória de forma simples, rápida e indolor e deve ser repetido com alguma frequência para se ir acompanhando a evolução.
Outra opção de exmae que pode ser necessário para o diagnóstico, sobretudo quando surgem algumas dúvidas por sintomas menos típicos, ou quando as queixas aparecem só com o exercício físico, são as provas de provocação brônquica. Nestes casos é aplicado um estímulo (pode ser um medicamento como a metacolina, ou uma corrida em tapete) após a espirometria e depois repete-se a medição para ver se há alteração dos parâmetros respiratórios.
É muito importante também nestes casos realizar os testes cutâneos por picada, ou testes prick, porque embora não tenham relação com o diagnóstico de asma, são muito úteis para averiguar se a asma é de causa alérgica.

Como prevenir as crises de asma?
Os sintomas e as crises de asma podem ser prevenidos, ao evitar a exposição aos fatores desencadeantes. Estes podem ser diferentes de pessoa para pessoa, conforme o tipo de asma, e devem ser explicados pelo médico, mas ficam alguns exemplos:
Fumo de tabaco
Cuidados de evicção de ácaros, através de medidas de controlo em casa
Evitar o contacto com animais de pêlo, ou pelo menos impedir o seu acesso ao quarto de dormir
Em situações de alergia a medicamentos ou alimentos que provoquem crises de asma, é importante não os consumir
Evitar zonas de muita poluição, não só nas cidades, mas também fumo de incêndios
Fazer a medicação antes da prática de exercício físico

Existe cura?
Não! A asma é uma doença crónica e não tem cura. Mas com medicação adequada é possível ter a doença bem controlada sem qualquer impacto sobre a vida da pessoa.
Existem casos em que a asma parece desaparecer durante uns anos. Esses pessoas tendem a pensar que a asma se curou, mas, na verdade, o que acontece é que a doença fica num estado latente, como que “adormecida”, e de facto a pessoa não tem sintomas nem precisa de medicamentos durante algum tempo, mas a tendência é para voltar a manifestar-se mais tarde ao longo da vida.
Quando existem alergias a causar a asma, o tratamento com as vacinas anti-alérgicas (imunoterapia específica), permite induzir também um estado de “adormecimento” da asma, que dura vários anos e permite à pessoa viver livre de sintomas e medicação durante esses anos.

Cuidados a ter
Para ter a asma controlada é necessário um acompanhamento médico regular, de forma a escolher a medicação e inalador mais adequada a cada momento.
É fundamental que o asmático encare a sua doença numa perspectiva de longo prazo e aborde estratégias com o seu médico nesse sentido.
Deve ter perfeito conhecimento dos seus sintomas e desencadeantes de crise, para saber evitar os fatores e atuar com a medicação de emergência se necessário (ter sempre consigo).
A maior parte dos doentes com asma não tem a sua doença controlada, e com isso agrava os problemas a longo prazo. Esse facto deve-se a múltiplas questões, nomeadamente alguns regimes de tratamento pouco práticos, dificuldades na técnica inalatória, preço, medo dos efeitos laterais da medicação, não ter sido explicado a importância da medicação diária, etc… por isso, é fundamental conversar sempre com o médico assistente e expor todas as questões.

Tratamento
Os medicamentos mais utilizados no tratamento da asma são em formato de inalador - os corticóides inalados, os broncodilatadores de ação curta e de ação longa. Em comprimido existem os antagonistas dos receptores dos leucotrienos (montelucaste).
A via inalatória tem vantagens, nomeadamente a concentração que se consegue atingir diretamente sobre as vias aéreas, com um máximo de ação local, minimizando as doses necessárias, com início de ação rápido e minimização dos efeitos secundários. Por isso, habitualmente deve ser esta a primeira escolha, mas depende sempre da avaliação médica.
O tratamento da asma funciona por degraus e requer uma avaliação regular de forma a aumentar ou diminuir a medicação ou doses, conforme o controlo da doença a cada momento.

Existem dois pilares no tratamento da asma:
- Tratamento de alívio, baseado em broncodilatadores de ação rápida e eventualmente corticóides orais
- Tratamento de manutenção ou preventivo, baseado em inaladores com corticóide e com/sem broncodilatadores, dependendo da gravidade; neste caso também se pode considerar o montelucaste, isolado ou em combinação. Estes servem para reduzir a inflamação e minimizar o risco de crises de danos irreversíveis nas vias aéreas.

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