Alergia ao leite - e agora? como fazer? o que comer?

2019-06-10

Alergia ao leite - e agora? como fazer? o que comer?

O leite materno é sempre a melhor opção! O leite materno exclusivo durante 4 a 6 meses parece diminuir o risco de eczema, de alergia ao leite e de crises de asma durante os primeiros anos de vida. A ingestão de probióticos pela mãe durante a gravidez também parece ter algum efeito na prevenção de algumas alergias, mas ainda é um assunto controverso.

A colite do leite materno pode aparecer em lactentes em aleitamento materno exclusivo. Isso ocorre pela passagem através do leite materno de frações proteicas. Nesses casos, não se deve suspender o aleitamento materno, é apenas necessário que a mãe exclua da sua dieta o leite de vaca e derivados. Contudo, deve lembrar-se de realizar as substituições adequadas e a reposição de cálcio, de modo a não ocorrer prejuízo nutricional nem para a mãe nem para o bebé.

Quando termina o aleitamento materno, para os doentes alérgicos à proteína do leite existem leites de substituição seguros: são as fórmulas extensamente hidrolisadas. Também existe leite em pó parcialmente hidrolisado (as fórmulas HA), mas não é recomendado para o tratamento de crianças com alergia ao leite (apenas podem ser usados na prevenção). Só a hidrólise intensa consegue transformar as proteínas do leite em pequenos péptidos que não causam reação. As fórmulas extensamente hidrolisadas são caras e o sabor é menos agradável, mas as crianças acabam por se habituar, até porque se sentem aliviadas por não terem os sintomas da doença.

A eficácia das fórmulas à base de proteína extensamente hidrolisada ronda os 90-95% e são recomendadas por todas as sociedades científicas internacionais, americanas e europeias. Em raras ocasiões, pode haver alergia mesmo com os leites especiais extensamente hidrolisados. Estes casos poderão necessitar de fórmulas compostas exclusivamente por aminoácidos.

O leite sem lactose não é uma opção em doentes alérgicos. Os leites de outros mamíferos também não. A maioria das crianças com alergia ao leite de vaca (mais de 90%) vai reagir com leite de outros animais, sobretudo com leite de cabra ou ovelha.

O leite de soja é uma excelente alternativa ao leite vaca. É nutricionalmente equilibrado, o sabor é agradável e não é demasiado caro. Mas deve ser utilizado com prudência. Não é aconselhável a utilização de soja como substituto do leite nas seguintes condições: em crianças abaixo dos 6 meses de idade; nos casos de alergia grave ao leite, em especial nas formas não-IgE-mediadas. Por isso, a sua introdução na dieta deve ser ponderada caso a caso. Alguns relatos recentes têm apontado que as isoflavonas presentes na proteína isolada de soja são fitoestrógenos, e que por esse motivo a bebida de soja seria prejudicial…. Vários estudos científicos já vieram, entretanto, contrariar esta questão provando que é uma alternativa segura e sem riscos hormonais.

Também existem no mercado outras opções, como a fórmula de arroz (Novalac Rice), ou a fórmula de aminoácidos (Neocate) que poderão ser utilizados em situações particulares, sempre com indicação médica.

O leite está presente na composição de variadíssimos produtos que usamos na nossa alimentação. Sabia que salsichas, fiambre, pão, pastilhas elásticas ou sumos, entre muitos outros alimentos, podem conter leite? É muito importante conhecer a composição dos alimentos que se oferecem às crianças alérgicas, sobretudo nos casos com alergia grave e que desencadeiam sintomas mesmo com quantidades muito pequenas.

Como identificar os ingredientes perigosos nos rótulos? Soro, soro de leite, caseína, hidrolisado de caseína, caseinato, coalho de caseína, lactoalbumina, fosfato de lactalbumina, lactoglobulina, lactato de sódio/cálcio…. Peça ao seu Médico Alergologista a lista destas designações e dicas para aprender a ler rótulos, ele saberá ajudar!

Quase todas as crianças com alergia ao leite podem comer carne de vaca. Já sabemos que proteínas homólogas podem induzir reações alérgicas por reatividade cruzada, mas o risco com a carne de vaca é muito baixo, sobretudo se a carne estiver bem passada. Por isso, não precisa de ter medo! Nas primeiras vezes pode experimentar com mais cautela e com menor quantidade, mas não precisa fazer testes antes. Basta pedir ajuda ao alergologista!

As alternativas ao leite de vaca para cozinhar:
Poderá utilizar bebida de soja, assim como natas e iogurtes de soja ou ainda outros substitutos, como bebida de arroz ou de aveia, etc. As receitas ficam ótimas! O seu alergologista saberá ajudar. E uma visita ao nutricionista também pode ser aconselhável, para conhecer mais alimentos seguros e substituições adequadas!

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